Para nada, como o lince — Jean-Marie Gleize (1946-2026)
- LAPO FRAN
- 15 de mar.
- 15 min de leitura
Tradução de Marcelo Jacques de Moraes

Para nada, como o lince
Sim, habitamos vossas ruínas mas.
Vou me expressar com simplicidade, ou mesmo com ingenuidade, a respeito de uma pergunta sem resposta, e a partir de uma experiência de escrita marcada sobretudo pelo sentimento de que ela é forçada (obscuramente forçada), e menor (socialmente menor), e incerta (politicamente incerta).
Politicamente incerta, porque está tão longe quanto possível de uma escrita terapêutica e euforizante, positiva e militante, e próxima, se quisermos, de certas palavras de ordem e slogans, total e literalmente poéticos, mas por isso mesmo, por sua evidência literal, senão ambíguos, ao menos, às vezes, difíceis de interpretar, como os que se pode ler no livro precisamente intitulado Slogans, de Maria Soudaïeva, traduzido, reescrito e apresentado por Antoine Volodine em 2004. Por exemplo: “Nem um gesto em direção às nuvens!” Ou ainda: “Sob fumaça, reagrupem-se!”, ou ainda: “Se há uma muralha, o vento não para”. Pois o vento não para, e é justamente por isso que estamos aqui. De outra forma, proponho este (como slogan): “É preciso construir cabanas”, mas também: é preciso saber destruí-las e deslocá-las, apagar os rastros, para ir mais longe. Soudaïeva dizia ainda: “Cobre de fuligem teu rastro na fuligem”.
Para que serve o lince? Para nada, como Mozart. Esse é o título de um pequeno livro publicado por Denis Roche em Roma em 1980. Ao contrário, mas dá no mesmo: Para que serve Mozart? Para nada, como o lince. Pode-se supor que sob essa pena, a do escritor energúmeno e da má escrita, a pergunta idiota concernia também, mais idiotamente ainda, ao que chamamos de poesia. Ouve-se também que a resposta “para nada” é meio rápida de propósito, radical e gentilmente provocadora. Para nada, sem dúvida, para alguma coisa, talvez. Para nada, talvez, para alguma coisa, sem dúvida. É a pergunta “para que serve” que não serve para nada, mas ela nos é feita sem trégua, assim como a pergunta “o que é que isso quer dizer” (isso que você escreve). Mas o lince é conhecido por sua acuidade visual (sensível até mesmo em situação de baixa luminosidade). Também é um pouco assim no fato de escrever: linhas de investigação cega, para ver, tentar ver, perceber, dar a ver e a conceber ou a reconceber, proceder com obstinação na escuridão ambiente, através da opacidade das coisas e das palavras, através da superopacidade das imagens e dos discursos.
Não sei se hoje é possível responder teórica e doutrinariamente (ou doutrinalmente), como ainda se fazia nos bons tempos das neovanguardas dos anos 1960-70, sobre a relação entre a escrita e o político. O que é certo é que as razões que nos “mobilizavam” naqueles anos de militância e de luta e nos incitavam a atar ou reatar política e poética, o poético e o político, permanecem identicamente candentes. As mesmas razões que Francis Ponge formulava em certo número de seus proemas dos anos trinta, quando preconizava que devíamos “resistir às palavras”, isto é, não deixar falar em nós a ideologia que nos fala (a doxa, os estereótipos, os lugares-comuns veiculados pelos poderes e pela midiasfera), mas ao contrário trabalhar a contra-palavras, a contra-usos, praticar, se necessário, “a arte de violentar as palavras e de submetê-las”. Essa poética continua atual, a “ordem das coisas”, que ele qualificava de “monstruosa” e de “sórdida”, da qual dizia ser aquela na qual pessoas se suicidam “por terem sido arruinadas” por esses “governos de oportunistas e mercadores”, é justamente a do “capitalismo democrático”, nosso contexto, o ar viciado que respiramos. Tomo emprestadas algumas palavras de Jacques Derrida, em 1993: “Nunca a violência, a desigualdade, a exclusão, a fome e, portanto, a opressão econômica afetaram tantos seres humanos na história” e ainda: “Nunca tantos homens, mulheres e crianças foram escravizados, mortos de fome ou exterminados sobre a Terra”. Donde a seus olhos, e aos nossos, a evidência e a urgência do recurso ao “espectro de Marx”.
Resistir às palavras, portanto, opor o silêncio da escrita ao ruído das palavras, ou ainda desmontar e remontar o fluxo contínuo da superinformação desrealizante, de modo a reencontrar, se possível, o sentido das palavras, o sentido das coisas e das situações e dos acontecimentos. Mas resistir também às imagens, ao fluxo contínuo das imagens, aquelas que “ocupam” nosso espaço e nossos olhos, os muros de telas que nos afastam e nos separam da realidade. Levar em conta que essas imagens “fazem parte” dessa realidade da qual, por outro lado, elas nos afastam. E que se trata, portanto, de trabalhar com e sobre e contra essas imagens em sobreposição, sobreimpressão, decomposição, redisposição, remediação crítica etc. É, creio eu, o que fazem as poéticas dispositivas e/ou documentárias das quais me sinto próximo.
Resistir às imagens é ainda, simetricamente, poderíamos dizer, saber renunciar à magia estupefaciente das gravuras de Épinal (heroicas, hagiográficas), aquelas que nutriram e carregaram nosso imaginário utopista e político. Renunciar a elas para enfrentar lucidamente o que é nosso quinhão: a travessia, utilizando para escrever os acidentes do solo, e do contexto, e das circunstâncias, da espessura opaca, a de um real enigmático, contraditório, conflitual e violento. É um dos sentidos da fórmula que surrupiei: “A poesia não é uma solução”. Se algo como uma prática de poesia existe, ela não pode ser o forro aumentado (por um suplemento estético) de nenhum sistema, de nenhuma verdade instituída, de nenhum programa, de nenhum manifesto. Ela participa de um movimento de busca, testemunha a exigência de emancipação, e tampouco nos dispensa de participar, “do lado de fora”, das ações ou investidas que essa exigência implica.
É, portanto, difícil, até impossível, para nós, mesmo que supostamente tenhamos perdido nossas ilusões, mesmo que tenhamos de fato renunciado à pose profética e ao tremor de certeza, mesmo que nos tenham “informado” do fim da história e do desmoronamento das grandes narrativas da emancipação coletiva, é difícil e impossível para nós não constatar a resistência do imaginário de resistência ligada ao fato de escrever, difícil e impossível não escutar o que perdura em nós, em baixo contínuo, do desejo de revolução, ou não ouvir ao nosso lado tal de nossos camaradas propor (cito-o) “reabrir a questão revolucionária”.
É, creio, sintomático que alguns afirmem (contra toda evidência aparente, em situação de extrema precariedade material e moral, no contexto asfixiante de nossa “democracia” sob aspas) a realidade atual de sua emancipação. Fiz questão de colocar em epígrafe permanente na revista Nioques, revista de pós-poesia contemporânea, esta frase do poeta Christophe Tarkos, morto prematuramente em 2004: “Não estou com pressa, não estou sufocando, não estou esmagado, não estou enterrado, não estou cercado, não estou esmagado, estou respirando”. Ele sustenta, pessoalmente, a afirmação, sobre o fundo da negação do esmagamento e de suas múltiplas formas. E se ele sustenta essa posição, se pode afirmar tão fortemente a negação da negação, é porque ele escreve, e porque compreende e vive essa prática da poesia como uma prática emancipatória (insurgente e emancipatória). O que precisamente nos incita a entender que a dimensão primeiramente política da poesia se daria, para Christophe Tarkos, por exemplo, na medida em que ela é um ato, e que esse ato de linguagem é (ou, em todo caso, pode ser) afirmação singular, reivindicação de autonomia, forma de vida e de sobrevivência em meio hostil.
Se compreendemos a prática duradoura e insistente, até resistente, da escrita de poesia (num contexto em que ela é uma prática de fato socialmente menor) como uma contribuição crítica e restrita, em parte cega, à invenção permanente de um espaço democrático, sabemos bem que não há solução, que a poesia não é uma solução nem está aí para enunciar soluções, e que a escrita só tem por objetivo e função intensificar as questões, intensificar questões.
Essa hipótese só faz sentido se pensarmos um espaço democrático (a possibilidade da democracia) fora da instituição política da qual ela é o nome, e se imaginarmos a realidade concreta, aqui e agora, por exemplo, de “comunas” autônomas, autogeridas, onde se experimentam livremente novos modos de experiência sensível, novas formas de troca, de expressão, de comunicação, de atividade coletiva, de vida. Tais ilhotas, de vida e de ação, de reflexão também e de luta, até de criação, existem. Política experimental, em desvio significativo da política instituída, assim como há práticas experimentais da arte e da poesia, que o são ou deveriam ser, em princípio, por definição. Trata-se para nós de construir nossas próprias cabanas, e os caminhos que as ligam (que podem ser revistas, microestruturas editoriais, circuitos alternativos de difusão, espaços de escrita coletiva, ou dispositivos poéticos suscetíveis de portar rastro e testemunho desses gestos, dessas tentativas), e se nossas cabanas são destruídas (elas são frágeis e precárias por natureza), nós as reconstruímos noutro lugar, sem perder o ânimo.
Um dos meus livros, que se intitula Tarnac, um ato preparatório, é atravessado por uma palavra de ordem (ou de desordem), uma injunção inquieta que evoquei no início destas poucas linhas: “É preciso construir cabanas”. O livro que o sucede no ciclo tem por título O livro das cabanas. A noção, se assim podemos dizer, de “ato preparatório”, pertence ao arsenal jurídico excepcional progressivamente elaborado no quadro da prevenção e da repressão de atividades terroristas em nosso território. Noção não definida precisamente para permitir prender pessoas por intenções supostas e não por atos ou fatos comprovados. “Tarnac”, nesse título, designa tanto o vilarejo (onde prisões arbitrárias ocorreram de fato em virtude dessa legislação política) quanto o livro que o leitor tem em mãos. Posto que os livros são atos (creio). Essa fórmula do “ato preparatório”, desviada de seu contexto inicial, reorientada ou rearmada, diz respeito a uma certa concepção do tempo tal como ele se desdobra em regime textual (neste tipo de regime textual, poético, pós-poético): não se trata para mim nem de evocar o passado (como faz a poesia às vezes no modo elegíaco), nem de cantar o futuro (como faz a poesia às vezes no modo engajado), mas de trabalhar o que eu poderia chamar de um presente anterior (rastros mnésicos, um presente de infância, muito sensível e materialmente remanescente) em composição com um presente “por vir”. Tratar-se-ia, portanto, de um presente estratificado, de um presente “em atos”, à espera e na preparação “daquilo que vem”.
Preparatório, aqui, como por vir num título anterior (Filme por vir), designa esse presente ativo (ativado) da escrita, assim como o presente daqueles que, em Tarnac, tentam reinventar sua vida sobre bases comunitárias, alternativas àquelas da submissão ao reino do lucro, da concorrência, da avaliação permanente, da informação publicitária, da castração mental, do controle generalizado e do apodrecimento das relações interpessoais. Esse projeto é, bem entendido, explicitamente político, alterpolítico. Da mesma forma, escrevê-lo no presente, no presente intensificado, no presente por vir, parece decorrer de algo como uma prática reengajada, num modo problemático, ou de uma intenção ativista. Que conhece bastante mal a si mesma. E cujos efeitos são incalculáveis, imprevisíveis. Eric Hazan propôs como título ao pequeno livro coletivo que publicou sobre este assunto (poesia e política): Você também tem armas. Armas, sim, sem dúvida, ou talvez – que são e permanecem tão misteriosas quanto as barricadas de François Couperin.
Jean-Marie Gleize

Texto original:
À rien, comme le lynx
Oui, nous habitons vos ruines, mais.
Je vais m’exprimer simplement, voire naïvement, au sujet d’une question sans réponse, et depuis une expérience d’écriture surtout marquée par le sentiment qu’elle est contrainte (obscurément contrainte), et mineure (socialement mineure), et incertaine (politiquement incertaine).
Politiquement incertaine, parce qu’elle est aussi loin que possible d’une écriture thérapeutique et euphorisante, positive et militante, et proche si l’on veut de certains mots d’ordre et slogans, tout à fait littéralement poétiques mais pour cette raison même, leur évidence littérale, sinon ambigus du moins parfois difficiles à interpréter, comme ceux qu’on peut lire dans le livre précisément intitulé Slogans, de Maria Soudaïeva, traduit, réécrit et présenté par Antoine Volodine en 2004. Par exemple : « Pas un geste vers les nuages ! » Ou bien encore : « Dans la fumée, regroupez-vous ! », ou encore : « S ‘il y a une muraille, le vent ne s’arrête pas ». Car le vent ne s’arrête pas, et c’est bien pourquoi nous sommes ici. D’une autre façon je propose celui-ci (de slogan) : « il faut construire les cabanes », mais également : il faut savoir les détruire et les déplacer, effacer les traces, pour aller plus loin. Soudaïeva disait encore : « Couvre de suie ta trace dans la suie ».
A quoi sert le lynx ? A rien, comme Mozart. C‘est le titre d’un petit livre publié par Denis Roche à Rome en 1980. À l’envers, mais ça revient au même : À quoi sert Mozart, à rien, comme le lynx. On peut supposer que sous cette plume, celle de l’écrivain énergumène et de la mécriture, la question idiote, concernait aussi bien, plus idiotiquement encore, ce qu’on appelle la poésie. On entend aussi que la réponse « à rien » est un peu rapide exprès, radicale et gentiment provocatrice. À rien, sans doute, à quelque chose, peut-être. À rien, peut-être, à quelque chose, sans doute. C ‘est la question « à quoi ça sert » qui ne sert à rien, mais on nous la pose sans relâche, tout comme la question qu’est-ce que ça veut dire, ça (ce que vous écrivez). Mais le lynx est connu pour son acuité visuelle (sensible même en situation de faible luminosité). C ‘est un peu comme ça aussi dans le fait d’écrire : lignes d’aveugle investigation, pour voir, tenter de voir, de percevoir, de donner à voir et à concevoir ou à reconcevoir, procéder avec acharnement dans l’obscurité ambiante, à travers l’opacité des choses et des mots, à travers la suropacité des images et des discours.
Je ne sais pas s’il est aujourd’hui possible de répondre théoriquement et doctrinairement (ou doctrinalement), comme on le faisait encore au beau temps des néo-avant-gardes des années 60-70, de la relation de l’écriture au politique. Ce qui est sûr c’est que les raisons qui nous « mobilisaient » dans ces années de militance et de lutte et nous incitaient à nouer ou re-nouer politique et poétique, le poétique et le politique, restent identiquement brulantes. Les mêmes raisons que formulait Francis Ponge dans un certain nombre de ses proèmes des années trente, lorsqu’ il préconisait de « résister aux paroles », c’est-à-dire de ne pas laisser en nous parler l’idéologie qui nous parle (la doxa, les stéréotypes, les poncifs véhiculés par les pouvoirs et par la médiasphère) mais au contraire de travailler à contre-paroles, à contre-usage, de pratiquer, si besoin est, « l’art de les violenter [les paroles] et de les soumettre ». Cette poétique-là reste d’actualité, l’« ordre des choses », qu’il qualifiait de « monstrueux » et de « sordide », dont il disait qu’il est celui ou des gens se suicident « pour avoir été ruinés », par ces « gouvernements d’affairistes et de marchands », est bien celui du « capitalisme démocratique », notre contexte, l’air vicié que nous respirons. J’emprunte quelques-uns de ses mots à Jacques Derrida, en 1993 : « Jamais la violence, l’inégalité, l’exclusion, la famine et donc l’oppression économique n’ont affecté autant d’êtres humains dans l’histoire » et encore : « Jamais autant d’hommes, de femmes et d’enfants n’ont été asservis, affamés ou exterminés sur la terre ». D’où à ses yeux, et aux nôtres, 1 ‘évidence alors et l’urgence du recours au « spectre de Marx ».
Résister aux paroles, donc, opposer le silence de l’écriture au bruit des paroles, ou bien encore démonter et remonter le flux continu de la surinformation déréalisante, de façon à retrouver s’il se peut le sens des mots, le sens des choses et des situations et des événements. Mais résister également aux images, au flux continu des images, celles qui « occupent » notre espace et nos yeux, les murs d’écrans qui nous éloignent et nous séparent de la réalité. Tenir compte du fait que ces images « font partie » de cette réalité dom par ailleurs elles nous éloignent. Et que donc il s’agit de travailler avec et sur et contre ces images en surimposition, surimpression, décomposition, redisposition, remédiation critique, etc. C‘est je crois ce que font les poétiques dispositales et/ ou documentaires dont je me sens proche.
« Résister aux images c’est encore, symétriquement pourrait-on dire, savoir renoncer à la magie stupéfiante des images d’Épinal (héroïques, hagiographiques) celles qui ont nourri et porté notre imaginaire utopiste et politique. Y renoncer pour affronter lucidement ce qui est notre lot : la traversée, en utilisant pour écrire les accidents du sol, et du contexte, et des circonstances, de l’épaisseur opaque, celle d’un réel énigmatique, contradictoire, conflictuel et violent. C‘est un des sens de la formule que j’ai volée à l’étalage : « La poésie n’est pas une solution ». Si quelque chose comme une pratique de poésie existe, elle ne peut être la doublure augmentée (d’un supplément esthétique) d’aucun système, d’aucune vérité instituée, d’aucun programme, d’aucun manifeste. Elle participe d’un mouvement de recherche, elle témoigne de l’exigence d’émancipation, elle ne nous dispense pas non plus de participer « dehors », aux actions ou menées que cette exigence implique.
Il nous est donc difficile, voire impossible, même si nous sommes censés avoir perdu nos illusions, même si nous avons en effet renoncé à la pose prophétique et au tremblement de certitude, même si l’on nous a « informés » de la fin de l’histoire et de l’écroulement des grands récits de l’émancipation collective, il nous est difficile et impossible de ne pas constater la résistance de l’imaginaire de résistance liée au fait d’écrire, difficile et impossible de ne pas écouter ce qui perdure en nous, en basse continue, du désir de révolution, ou de ne pas entendre à côté de nous tel de nos camarades proposer (je le cite) de « rouvrir la question révolutionnaire ».
Il est je crois symptomatique que certains affirment (contre toute évidence apparente, en situation d’extrême précarité matérielle et morale, dans le contexte asphyxiant de notre « démocratie » sous guillemets) la réalité actuelle de leur émancipation. J‘ai tenu à mettre en exergue permanente à la revue Nioques, revue de postpoésie contemporaine, cette phrase du poète Christophe Tarkos, mort prématurément en 2004 : « Je ne suis pas pressé, je ne m’étouffe pas, je ne suis pas écrasé, je ne suis pas enfoui, je ne suis pas encerclé, je ne suis pas écrasé, je respire. ». II soutient, personnellement, l’affirmation, sur le fond du déni de l’écrasement et de ses multiples formes. Et s’il soutient cette position, s’il peut affirmer si fort la négation de la négation, c’est parce qu’il écrit, et que cette pratique de la poésie il la comprend et la vit comme une pratique émancipatrice (insurgeante et émancipatrice). Ce qui précisément nous incite à entendre que ce en quoi la poésie serait d’abord politique, pour Christophe Tarkos, par exemple, c’est en tant qu’elle est un acte, et que cet acte de langage est (ou en tout cas peut être) affirmation singulière, revendication d’autonomie, forme de vie et de survie en milieu hostile.
Si nous comprenons la pratique endurante et insistante, voire résistante, de l’écriture de poésie, (dans un contexte où elle est une pratique de fait socialement mineure) comme une contribution critique et restreinte, en partie aveugle, à l’invention permanente d’un espace démocratique, nous savons bien qu’il n’y a pas de solution, que la poésie n’est pas une solution ni n’est là pour énoncer des solutions, et que l’ écriture n’a pour but et fonction que d’intensifier les questions, des questions.
Cette hypothèse ne prend sens que si nous pensons un espace démocratique (la possibilité de la démocratie) en dehors de l’institution politique dont c’est le nom et que nous imaginons la réalité concrète, ici et maintenant, par exemple, de « communes » autonomes, auto-gérées, où s’expérimentent librement de nouveaux modes d’expérience sensible, de nouvelles formes d’échange, d’expression, de communication, d’activité collective, de vie. De tels ilots, de vie et d’action, de réflexion aussi et de lutte, voire de création, existent. Politique expérimentale, en écart significatif à la politique instituée, comme il y a des pratiques expérimentales de l’art et de la poésie, qui le sont ou devraient l’être, en principe, par définition. Il s’agit pour nous de construire nos propres cabanes, et les chemins qui les relient (il peut s’agir de revues, de micro-structures éditoriales, de circuits alternatifs de diffusion, d’espaces d’écriture collective, ou de dispositifs poétiques susceptible de porter trace et témoignage de ces gestes, de ces tentatives), et si nos cabanes sont détruites (elles sont fragiles et précaires par nature), nous les reconstruisons ailleurs, sans nous décourager.
Un de mes livres s’intitule Tarnac, un acte préparatoire, il est traversé par un mot d’ordre (ou de désordre), une injonction inquiète que j’ai évoquée au début de ces quelques lignes : « il faut construire des cabanes ». Le livre qui le suit dans le cycle a pour titre Le livre des cabanes. La notion, si l’on peut dire, d’« acte préparatoire », appartient à l’arsenal juridique exceptionnel progressivement élaboré dans le cadre de la prévention et de la répression de menées terroristes sur notre territoire. Notion non définie précisément pour permettre d’arrêter des gens sur des intentions supposées et non sur des actes ou des faits avérés. « Tarnac », dans ce titre désigne et le village (où des arrestations arbitraires ont bien eu lieu en vertu de cette législation politique) et le livre que le lecteur a entre les mains. Puisque les livres sont des actes (je crois). Cette formule de « l’ acte préparatoire », détournée de son contexte initial, réorientée ou réarmée, concerne une certaine conception du temps tel qu’ il se déploie en régime textuel (en ce type de régime textuel, poétique, post-poétique): il ne s’agit pour moi ni d’évoquer le passé (comme le fait la poésie parfois sur le mode élégiaque), ni de chanter l’avenir (comme le fait la poésie parfois sur le mode engagé), mais de travailler ce que je pourrais appeler un présent antérieur (traces mnésiques, un présent d’enfance, très sensiblement et matériellement rémanent) en composition avec un présent « à venir ». 11 s’agirait donc d’un présent stratifié, d’un présent « en actes », dans l’attente et la préparation de « ce qui vient ».
Préparatoire, ici, comme à venir dans un précédent titre (Film à venir), désigne ce présent actif (activé), de l’écriture, comme aussi bien le présent de ceux qui, à Tarnac, tentent de réinventer leur vie sur des bases communautaires, alternatives à celles de la soumission au règne du profit, de la concurrence, de l’évaluation permanente, de l’information publicitaire, de la castration mentale, du contrôle généralisé et du pourrissement des relations interpersonnelles. Ce projet est bien sur explicitement politique, alterpolitique. De même l’écrire au présent, au présent intensifié, au présent à venir, semble relever de quelque chose comme une pratique ré-engagée, sur un mode problématique, ou d’une intention activiste. Qui se connait assez mal elle-même. Et dont les effets sont incalculables, imprévisibles. Eric Hazan a proposé pour titre au petit livre collectif qu’il a publié sur ce sujet (poésie et politique) : Toi aussi tu as des armes. Des armes, oui, sans doute, ou peut-être, - qui sont et restent aussi mystérieuses que les barricades de François Couperin.
Jean-Marie Gleize



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